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Nihonjin [Japonês]

Minha edição de 'Nihonjin'. de Oscar Nakasato, pela Benvirá.

Minha edição de ‘Nihonjin’. de Oscar Nakasato, pela Benvirá.

E a leitura de A Guerra dos Tronos continua, neste último dia quinze fez um mês que estou lendo o livro, e recém passei da metade ¬¬ Como os passos estão mais vagarosos que o disco da Céu, resolvi intercalar um livro diferente nesse meio de conflitos políticos, tronos e reinados. ‘Nihonjin‘ do maringaense Oscar Nakasato foi o responsável por me tirar temporariamente das terras dos lobos, dragões, gelo e fogo.

Os escravos haviam sido recém libertados, os fazendeiros de café necessitavam de mão de obra para a colheita, com isso, muitas famílias japonesas imigraram para o Brasil, neste caso, para o interior de São Paulo. Hideo Inabata foi mais um dos nihonjins que junto com a esposa vieram em busca do dinheiro vasto que lhes havia sido prometido. Hideo é o nosso protagonista, nacionalista orgulhoso, trabalhador correto e fiel ao imperador do Nihon, demonstra imensa dificuldade em aceitar sua atual condição e a nova terra que lhe sustentava. Do seu segundo casamento nasceu Haruo, menino documentalmente brasileiro, que sofre uma crise de identidade devido as divergentes nacionalidades impostas pelo estado e pelo pai, e que quando grande, depois de ter se mudado para o bairro da liberdade na grande São Paunilo, é reprimido pela comunidade japonesa por assumir sua verdadeira terra natal. Hideo também dá origem a Sumie, que para desgosto do pai, foge com um brasileiro, deixando para trás o fruto de seu antigo casamento, o narrador da história.

Este é mais ou menos um panorama da trama desenvolvida durante as poucas 175 páginas. Esta possível falta de páginas acaba gerando certa desorientação durante a leitura, uma vez que em diversas vezes nos deparamos sobrevoando um abismo temporal enorme, e as margens deste abismo podem ser duas ou três palavras. Preferi ver esta questão pelo lado positivo, em momento algum o autor subestima a inteligência do leitor, acontecimentos importantes da história são lançados às páginas abruptamente, e muitas vezes de forma não tão direta, o que ao meu ver é deveras mais interessante do que uma história didaticamente apresentada. Além de tudo isso, considero o ponto forte do livro, a voz que ele dá a um momento histórico mudo na literatura nacional. Quero dizer que a forma como foi abordada a imigração japonesa, na perspectiva de um nihonjin, contando suas dificuldades de adaptação, seus ferimentos no orgulho, seus confrontos culturais e diversas outras barreiras e atitudes que tiveram que ser ultrapassadas e readequadas, foi de grande importância como forma de registro.

Dos motivos que me despertaram a vontade de ler ‘Nihonjin’. A capa é linda como poucas, o autor é oriundo do mesmo estado que este que vos escreve, e por último, uma polêmica. Sim, este é o controverso vencedor do mais recente prêmio jabuti de literatura, haja vista que a confusão relacionada ao jurado C botou em dúvida a credibilidade da instituição organizadora da premiação e consequentemente do escritor. Não sou capaz de afirmar se a vitória do Oscar Nakasato foi justa, pois não li os romances concorrentes, mas afirmo que o texto de sua obra é lindo, de muito conteúdo e que merece ser lido.

ps1:. Gostaria imensamente de assistir esta história nas telonas dos cinemas. A escrita do autor é bastante visual, e conta com uma das cenas mais lindas que já imaginei lendo um livro.

ps2:. Como o tema do mês de janeiro do desafio literário 2013 é livre, esta “resenha” (odeio esse termo) será a representante do Leitor Compartilhado este mês.
Desafio Literário 2013

Rendeu 4 estralas no skoob!
Literatura nacional contemporânea de qualidade é sempre bom ;)
Por hoje é isso, até mais!

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Enriquecendo a Estante #10

Olá! Voltei para falar sobre os livros que vieram enriquecer a minha estante na semana passada. Assim que forem lidos eu retorno para contar o que achei deles.

Minha edição de ‘Nihonjin’ do Maringaense Oscar Nakasato, pela Benvirá.

A primeira e única compra da semana trata-se do controverso vencedor do 54º Jabuti, Oscar Nakasato. Tenho percebido que o prêmio anda bastante desprestigiado, andei lendo algumas coisas pela internet e ouvindo pessoas importantes comentarem que o Jabuti não é capaz de se auto afirmar e se apresentar como uma “competição” séria e importante. Apesar de tudo isso e da polêmica gerada pelo “Jurado C” em torno da premiação de “Nihonjin”, muito me interessei pelo vencedor da categoria de melhor romance, uma vez que a capa é bem bonita, o autor é paranaense, e a temática oriental me agrada. Com seu romance de estreia e suas poucas 175 páginas, Oscar Nakasato também levou o prêmio Benvirá entes de faturar o Jabuti.

O texto narra a difícil adaptação do orgulhoso nacionalista japonês Hideo Inabata, que imigra para o Brasil na segunda década do século XX, com o objetivo de enriquecer e levar recursos ao japão.

Minha edição de ‘O Alquimista’ de Paulo Coelho, pela Sextante.

O segundo livro a enriquecer a estante aqui de casa não foi uma compra, mas o resultado de um sorteio realizado ao final de um evento organizado pela Livrarias Curitiba. Estava eu, quinta-feira a noite, no Shopping Estação, para um bate papo virtual com Paulo Coelho. Eu já havia formulado uma pergunta para fazer ao escritor, quando o mediador do evento anuncia um problema técnico, o audio do micrôfone não estava chegando aos ouvidos de Paulo Coelho, que falava diretamente de sua casa em Genebra na Suíça. Enfim, o evento acabou não ocorrendo como deveria, sorteram alguns livros do autor, e eu acabei ganhando ‘O Alquimista’, que dispensa apresentação.

É bastante provável que este tenha sido o primeiro livro que li na vida (não há total certeza sobre esta afirmação). Isso, na época em que eu achava difícil ler um texto do Paulo Coelho rsrs, uma criança. Pretendo relê-lo ;)

Por hoje é isso…
Até!

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