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‘Os Elefantes Não Esquecem’ de Agatha Christie

Minha edição de 'Os elefantes não esquecem' da Agatha Christie, pela Nova Fronteira. (175 páginas.)

Minha edição de ‘Os elefantes não esquecem’ da Agatha Christie, pela Nova Fronteira. (175 páginas.)

Queria ler algo descompromissado, curto e divertido. Resolvi pegar mais um livrinho da rainha do suspense, terminei e voltei para contar o que achei.

Desta vez Agatha Christie nos conta a história de três misteriosas mortes (não me diga!?!). Primeiro a de uma moça que, durante um ataque de sonambulismo, cai de um penhasco. E segundo, a de um casal que teria supostamente feito um pacto suicida.
Diferente dos outros que já li da autora, este livro não trata de um acontecimento dado no tempo presente, e sim de uma complexada autora de literatura policial que é indagada por uma senhora aparentemente desconhecida, a respeito da tragédia que há anos e anos atrás tornou orfã a distante afilhada da escritora. Mais curiosa para saber as razões pelas quais esta tragédia tanto interessava àquela senhora, do que propriamente desvendar o mistério que sondava o duplo suicídio dos pais da sua afilhada, a escritora entra em contato com seu amigo belga, o detetive Hercule Poirot, para lhe ajudar a desvendar esta trama que até o tempo já esquecera. Mas os elefantes, ah, os elefantes não esquecem.

Este não é o melhor livro, dos não muitos, que já li da autora. ‘O Natal de Poirot’ continua sendo o que mais gosto, apesar de ter terminado de uma forma que muito incomodou, forma esta que ‘Os elefantes não esquecem’ parece se distanciar bastante. O fato é que em ‘O Natal de Poirot’ o desvendar do mistério não foi gradual e a real solução foi apresentada de forma abrupta nas páginas finais, sem ao menos ter dado pistas ou sugerido durante as páginas aquela possibilidade. Neste livro que intitula o post, tudo se encaminha para o real desfecho da história, possibilitando o leitor de desconfiar ou até mesmo desvendar o segredo antes da hora, e isto não quer dizer que ele seja previsível, mas que a solução condiz com todas as informações e indícios apresentados desde o início. Porém, não tem aquela tensão, gerada pela gravidade da situação, de O Natal de Poirot.

Além disso, há mais três coisas que eu gostaria de destacar. A primeira trata-se de uma mera curiosidade: em diversas partes do livro encontramos referências a casos anteriormente solucionados pelo detetive bigodudo em outros livros da Agatha Christie. A segunda é que eu não gostei da repetição de uma determinada expressão, com a única e visível intensão de afirmar e reafirmar o título da obra, isto me incomodou; apesar de durar poucas páginas, logo acaba. E por fim, a terceira, é que há uma certa quantidade de expressões em francês no texto (que também não se estende por muito tempo); isto não costuma me atrapalhar, acho super normal na verdade, mas a minha intensão com este livro era qualquer uma diferente de ficar, volta e meia, pedindo ajuda ao google tradutor, enfim, uma chata particularidade.

Recebeu 3 estrelas no skoob, e isso é Bom.
Por hoje é isso. Inté!

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E o preto-protagonista é crioulo mesmo e não preto pintado de branco.

Minha edição de 'A Revolta da Cachaça' de Antonio Callado, pela Nova Fronteira.

Minha edição de ‘A Revolta da Cachaça’ de Antonio Callado, pela Nova Fronteira.

Descompromissadamente, li ‘A Revolta da Cachaça’ de Antonio Callado esta semana. A leitura foi mega rápida, além das poucas 127 páginas, trata-se de um texto teatral, capaz de ler em um dia apenas. No começo, houve um certo desconforto, ocasionado pela forma como o tudo está disposto na página, pelo fato da história ser contada toda em diálogos e pelas rubricas que parecem desacelerar o andamento da leitura. Considero isso uma questão de costume, já li outras peças e algo parecido aconteceu, mas com o passar das páginas a gente pega o jeito e a experiência se torna muito agradável e enriquecedora.
A encenação é constituída de três personagens principais, e mais três secundários, que aparecem em uma cena ou duas. Ambrósio é um ator negro, que cansado de ser marginalizado, severamente cobra de Vito o papel de protagonista que o dramaturgo havia lhe prometido, mas que há anos se demorava em terminar de escrever. Envolvida nesta situação toda está Dadinha/Eduarda, atual de Vito e ex de Ambrósio. Enfim, a trama é relativamente simples, mas consegue, através das escolhas extremas tomadas por Ambrósio para conseguir o que quer à todo custo, condensar uma nuvem de tensão muito carregada . Vale destacar que a história é ambientada em Petrópolis, cidade serrana do estado do Rio de Janeiro, no fim dos anos 50 e início da década de 60.
Achei muito interessante a denominação dada pela Ligia Chiappini, responsável pelas notas e roteiro de leitura presentes no fim da publicação. Ela afirma que a obra se trata de um metateatro, e de fato isso é bem legal de acompanhar, uma peça sobre o processo de encenação e criação de outra peça. Além disso, outra temática do livro, bastante polêmica inclusive, é a questão racial  e a discriminação social. O que fez me lembrar por várias passagens, Anjo Negro do Nelson Rodrigues (minha peça favorita, queria vê-la encenada um dia), que em 1948 foi para os palcos protagonizada por um ator branco pintado de preto, uma vez que não era aceitável que a colega de cena (loura) contracenasse com um negro.
Enfim, o texto é controverso e repleto de referências históricas, representadas logo no título. Super recomento a leitura de ‘A Revolta da Cachaça’, 5 estrelas no skoob!

Por hoje é isso!
Até mais ver!

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