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Linha de Chegada – O Corno de si mesmo e outras historietas

Olá pessoas!
Assim como Diane Arbus, posso dizer que sou fascinado por aquilo que me assusta. Dessa maneira, confesso que literatura erótica muito me interessa. Até que enfim, li Marquês de Sade, e deixo aqui registradas minhas vivências ao lado deste livro magrinho e baratinho.

Minha (do meu irmão), edição de O Corno de si mesmo e outras historietas, do Marquês de Sade.

Da edição, conta com uma seleção de contos escritos por volta de 1787 (período em que Sade permaneceu preso na Bastilha) e  foi publicada pela L&PM na coleção 64 páginas. Admiro muito a iniciativa desta série, pois promove oportunidade de se estabelecer, mesmo que rápido, um primeiro contato com a escrita de determinado autor, uma vez que os livros são bastante finos. Além de tornar literatura mais acessível financeiramente.

Sobre Donatien Alphonse François de Sade, deparei-me pela primeira vez com esta ilustre figura, no filme sensacionalmente bizarro, ‘Contos proibidos de Marques de Sade’ protagonizado por Kate  Winslet e Geoffrey Rush (como Sade). Agora, nós tivemos nosso segundo encontro,  mas diferente do filme, ‘O Corno de si mesmo e outras historietas’ não trata da vida do autor, mas de seus contos sempre acalorados.

Acreditava que, ao ler o livro, sentiria a estranheza que senti quando vi o filme, mas a mesma não ocorreu. Quanto ao texto, achei inclusive, Sade um tanto sutil no seu modo de prosear e narrar algumas situações voluptuosas. E isso não é um fator negativo, o oposto, a escrita do Marquês me surpreendeu pela qualidade e beleza. Mas claro, a promiscuidade não largou a obra em nenhum instante.
A mira se mantém constantemente direcionada a mulheres santas, virgens e a instituições como o clero e o casamento, o que fez com que suas obras fossem censuradas mesmo um século depois de suas publicações.
Acho que o filme mostra uma personalidade mais depravada a respeito do autor, do que a pude verificar através dos contos no livro. Mas ainda assim, sua literatura cumpre primorosa e prazerosamente, a função de escandalizar.

Poster do filme ‘Contos proibidos do Marquês de Sade’, dirigido por Philip Kaufman.

Obs: Depois de Almoço Nu, de Williams Burroughs, nada mais me é estranho.

Também quero deixar registado aqui, o provável menor conto do livro.Vale a pena para ter uma ideia da maneira como assuntos ardentes são incorporados pelo autor.

A flor do Castanheiro

Não afirmo, mas conhecedores querem nos persuadir de que a flor do castanheiro tem o mesmo odor que a semente prolífica que a natureza teve por bem colocar no homem para a reprodução de seus semelhantes.
Uma mocinha de uns quinze anos, que nunca tinha saído da casa paterna, passeava um dia com a mãe e um galante abade numa alameda de castanheiros, cujas flores perfumavam o ar com a suspeita fragrância que tomamos a liberdade de indicar.
-Meu Deus, mamãe, que cheiro estranho- observou a jovem, não se dando conta de onde vinha. – Sinta, mamãe, é um cheiro que eu conheço.
-Cala, filha, não digas coisa assim, te peço.
-Mas por quê, mamãe? Não vejo o mal de lhe dizer que esse cheiro me parece familiar; é mesmo.
-Minha filha!
-Mas conheço esse cheiro mamãe. Seu abade, me diga, lhe peço, que mal há em afirmar que eu o conheço?
-Srta. – intervém o abade, arrumando a gola e aflautando a voz -, por certo, o mal em si é pouca coisa, mas acontece que estamos debaixo de castanheiras, e que nós, interessados em botânica, admitimos que a flor do castanheiro…
-Sim, a flor do castanheiro?
-Bem, srta., é que ela cheira a esperma.

[Marquês de sade]

Enfim, recomento a obra para quem gosta do gênero; e para quem ainda não teve contato aconselho que deve conhecer.
Por hoje é isso, só vim falar sobre esta não planejada e rápida leitura que tive esta semana.
Critiquem, debatam e comentem. O LC é uma troca ;)
Inté!

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