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O dualismo de John Fowles.

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Minha edição de O Colecionador de John Fowles, pela Abril.

Está difícil manter frequentes postagens no blog, e o pior, por motivos alheios a minha vontade. Aproveitei este momento em que o wordpress resolveu funcionar, para escrever as minhas impressões de leitura a cerca do livro ‘O Colecionador’ de John Fowles, que li para o fórum literário Entre Pontos e Virgulas. Mas, como fui possuído pelo ritmo ragatanga pela preguiça, acabei nem participando das discussões.

Comecei a lê-lo às cegas, não sabia do que se tratava, enredo, gênero nem nada. E confesso que fiquei surpreso com a história de detetive às avessas. O que eu quero dizer com isso? imagine um assassinato, um sequestro ou algum outro crime ocorrido em um livro de suspense policial por exemplo, tipo Aghata Christie, na maioria das vezes a solução do caso é apresentada sob a perspectiva dos investigadores, do detetive e tal. Mas em O Colecionador, a história é passada ao leitor pelo outro lado, através da narração do criminoso, achei isso fundamental para o sucesso da obra.
A questão é: um medíocre funcionário público, arcaico, exageradamente introspectivo, uma vergonha social, fraco, frio, um alienígena, inseguro e mal amado, recebe um dinheirão e resolve testar seu recém conquistado poder sequestrando e mantendo em cativeiro a jovem Miranda, o seu amor platônico.
O livro é repleto de antagonismos, Frederick Clegg é um homem oco, colecionador de borboletas, que retira-as a vida que  inveja, a vitalidade e as cores que não consegue e/ou não sabe que pode desenvolver. Já Miranda, é pulsante, amante das artes, da boa música, desenhista, pintora, viva, e que acaba por se tornar mais uma borboleta no acervo de Frederick. Ao mesmo tempo que conhecemos as inúmeras investidas de fuga por parte da vítima, também vemos certa preocupação, que às vezes parece ódio, indignação, pena ou incompreensão, um desejo de mostrar ao Clegg que ele pode ser diferente, que ele pode ser amável, que não há o que temer, que julgamentos servem para serem esquecidos, ou edificadores, que se esconder é pior, que se expor é humano, e que errar também, uma vontade de apresentar-lhe a humanidade, o toque,  a troca, o contato, a vida.

Poster do longa de 1965.

Poster do longa de 1965.

Dos pontos fortes do livro, quero destacar a narrativa do autor, muito descritiva e verossímil, algo muito importante para um livro escrito em primeira pessoa. E como ponto negativo, as poucas interrupções no texto, isto é, não há capítulos, a divisão se dá em quatro partes, sendo a primeira delas muito longa, o que me incomodou um pouco. Prefiro muito mais capítulos curtos, no melhor estilo Machado de Assis. Do autor, John Fowles era britânico (faleceu em 2005), conseguiu sucesso logo em seu romance de estreia The Collector (1963), admirava de Albert Camus e Sartre. Escreveu também ‘A Mulher do Tenente Francês’, seu livro mais famoso e premiado, que inclusive foi adaptado para o cinema em 1981. Vale destacar que O Colecionador também recebeu uma adaptação cinematográfica, feita em 1965 por William Wyler (diretor de Ben-Hur).

Recebeu 3 estrelas nos skoob, quase 4.
Por hoje é isso, até breve!

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