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Balanço do mês de Março [2013]

Tudo que assisti, li e ouvi neste mês pascoal.

Filmes:.

movies março

Até que enfim assisti dois dos maiores clássicos do Hitchcock, ‘Os pássaros’ e ‘Psicose’, gostei muito do primeiro (apesar de achar o roteiro meio fraco para um Hitchcock) mais até do que o segundo, mas Um Corpo que Cai continua sendo, ao meu ver, o melhor de todos. ‘The Cabin Woods’ (O Segredo da Cabana) foi uma surpresa, absurdamente diferente do que eu esperava, uma viagem completa, mas ainda assim uma boa maneira de passar o tempo.  ‘Priscilla – a rainha do deserto’ é sensacional, não sei se é uma comédia ou musical, ou ambos, ou nenhum dos dois… o fato é que os diálogos são ótimos, a história é hilária e merece muito muito ser visto. Continuo na minha meta de ver toda a filmografia do Tarantino, e o filme da vez foi ‘Reservoir Dogs’ (Cães de Aluguel), que ao meu  ver é um dos melhores do cara; é incrível o clima deste filme, as referências, os diálogos e a forma como a trama é contada. Sobre Pina, é uma delícia visual, faz bem para o espírito, para os ouvidos, para os olhos, é um banho de coisa boa; as cores, os movimentos e a trilha sonora deste filme/documentário são grandiosos (obs: tem música do Caetano na trilha ;). E por fim, ‘In The Name of The Father’ (Em Nome do Pai) uma história forte, de deixar marcas e com a ótima atuação do Day Lewis; um filme emocionante e revoltante.

Livros:.
Este não foi um mês de grandes leituras, nada que tenha provocado algo duradouro. Três dos quatro livros que li em março já foram comentados aqui no blog, pretendo compartilhar minhas impressões acerca de ‘Resgate do Mar’ de Richard Bach, ainda esta semana.
livros março
Post sobre A Revolução dos Bichos: aqui
Post sobre O Colecionador: aqui
Post sobre Os Elefantes não Esquecem: aqui

Séries:
Faz aproximadamente dois meses que esta categoria não aparace por aqui, isto porque eu tenho visto várias séries, mas não terminei nenhuma, como a primeira temporada de America Dad (que ainda estou assistindo), A primeira temporada de Game of Thrones (No quarto episódio ainda), a quarta temporada de The Big Bang Theory e a quinta temporada de Lost… Tudo pela metade…  Entretanto, neste último doce mês, fui apresentado a uma série chamada Parks and Recreation, que é engraçadíssima e diferentona  (gravada na forma de documentário), como a primeira temporada tem apenas seis episódios, foi rapidinho de terminar. E para terminar, The Walking Dead e seu decepcionante episódio final, sinceramente eu esperava muito muito mais, queria ver os conflitos solucionados, o Hershel morto, o governador também, e aquele povo todo caindo fora daquela prisão e voltando para a estrada. Continuo achando a segunda temporada de Twd a melhor das três e o sétimo episódio da mesma o melhor de todos, seguido pelo último episódio da segunda temporada.
series março

Músicas:.
O que eu mais ouvi…

Por hoje é isso!
Inté!

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O dualismo de John Fowles.

o-colecionador

Minha edição de O Colecionador de John Fowles, pela Abril.

Está difícil manter frequentes postagens no blog, e o pior, por motivos alheios a minha vontade. Aproveitei este momento em que o wordpress resolveu funcionar, para escrever as minhas impressões de leitura a cerca do livro ‘O Colecionador’ de John Fowles, que li para o fórum literário Entre Pontos e Virgulas. Mas, como fui possuído pelo ritmo ragatanga pela preguiça, acabei nem participando das discussões.

Comecei a lê-lo às cegas, não sabia do que se tratava, enredo, gênero nem nada. E confesso que fiquei surpreso com a história de detetive às avessas. O que eu quero dizer com isso? imagine um assassinato, um sequestro ou algum outro crime ocorrido em um livro de suspense policial por exemplo, tipo Aghata Christie, na maioria das vezes a solução do caso é apresentada sob a perspectiva dos investigadores, do detetive e tal. Mas em O Colecionador, a história é passada ao leitor pelo outro lado, através da narração do criminoso, achei isso fundamental para o sucesso da obra.
A questão é: um medíocre funcionário público, arcaico, exageradamente introspectivo, uma vergonha social, fraco, frio, um alienígena, inseguro e mal amado, recebe um dinheirão e resolve testar seu recém conquistado poder sequestrando e mantendo em cativeiro a jovem Miranda, o seu amor platônico.
O livro é repleto de antagonismos, Frederick Clegg é um homem oco, colecionador de borboletas, que retira-as a vida que  inveja, a vitalidade e as cores que não consegue e/ou não sabe que pode desenvolver. Já Miranda, é pulsante, amante das artes, da boa música, desenhista, pintora, viva, e que acaba por se tornar mais uma borboleta no acervo de Frederick. Ao mesmo tempo que conhecemos as inúmeras investidas de fuga por parte da vítima, também vemos certa preocupação, que às vezes parece ódio, indignação, pena ou incompreensão, um desejo de mostrar ao Clegg que ele pode ser diferente, que ele pode ser amável, que não há o que temer, que julgamentos servem para serem esquecidos, ou edificadores, que se esconder é pior, que se expor é humano, e que errar também, uma vontade de apresentar-lhe a humanidade, o toque,  a troca, o contato, a vida.

Poster do longa de 1965.

Poster do longa de 1965.

Dos pontos fortes do livro, quero destacar a narrativa do autor, muito descritiva e verossímil, algo muito importante para um livro escrito em primeira pessoa. E como ponto negativo, as poucas interrupções no texto, isto é, não há capítulos, a divisão se dá em quatro partes, sendo a primeira delas muito longa, o que me incomodou um pouco. Prefiro muito mais capítulos curtos, no melhor estilo Machado de Assis. Do autor, John Fowles era britânico (faleceu em 2005), conseguiu sucesso logo em seu romance de estreia The Collector (1963), admirava de Albert Camus e Sartre. Escreveu também ‘A Mulher do Tenente Francês’, seu livro mais famoso e premiado, que inclusive foi adaptado para o cinema em 1981. Vale destacar que O Colecionador também recebeu uma adaptação cinematográfica, feita em 1965 por William Wyler (diretor de Ben-Hur).

Recebeu 3 estrelas nos skoob, quase 4.
Por hoje é isso, até breve!

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Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.

Voltei para compartilhar minhas impressões de leitura a respeito do livro que revolucionou um gênero e redefiniu os rumos da ficção científica  a partir década de 50. Falo de ‘Eu, robô’ de Isaac Asimov.

Minha edição de 'Eu, robô' de Isaac Asimov,  pela Pocket Ouro.

Minha edição de ‘Eu, robô’ de Isaac Asimov, pela Pocket Ouro.

Trata-se de um livro de contos, 9 contos. Na verdade, não sei direito se este é o enquadramento correto para esta obra, pois as 9 histórias são quase todas interligadas, as personagens são basicamente as mesmas na maioria delas, e também acontece de um evento ocorrido em determinado conto ser citado em outro, particularmente, achei ótima a ideia. Gosto de chamar ‘Eu, robô’ de um livro de causos, essencialmente porque há a repetição de um padrão nas 9 histórias, funciona basicamente assim: uma máquina apresenta um problema (age como se estivesse bêbada ou é racional ao extremo, dentre outras falhas técnicas), a robopsicologa Susan Calvin e sua equipe estudam o problema, de forma bastante lógica encontram a causa do mesmo (o raciocínio lógico do Asimov é visivelmente apurado), e  por fim ele é solucionado; deixando os 9 contos semelhantes a um estudo de caso.

Como se tudo isso não fosse genial o suficiente, o autor ainda faz com que cada uma destas histórias retrate uma época da ciência robótica, delineando a evolução tecnológica desde a criação de uma babá mecânica, até a dominação mundial pelas máquinas. Reforço o que já devo ter deixado claro, o livro é inovador. Um dos seus maiores legados para a literatura de ficção, foram as famosas 3 leis da robóticas. Não vou enunciá-las aqui, mas ressalto a primeira delas, esta que intitula o post, que representou uma libertação criativa para os autores da época, influenciado gerações futuras de escritores e cineastas, e curando a ficção cientifica da síndrome de frankenstein, que defendia o caráter maligno do avanço tecnológico.

Tão bacana quanto o livro, é o filme de Alex Proyas [de 2004]. Temeroso, digo que o livro é melhor que o filme. Da última vez que fiz um comentário desse tipo em uma rede social sobre cinema, quase fui queimado, crucificado, morto, afogado, apedrejado e depois morto novamente; mas não adianta, sempre vou acabar comparando as sensações que um livro e um filme me despertam, e consequentemente, julgar as da 6ª arte mais intensas.  O longa de mesmo nome tem o enredo completamente diferente da obra original, obviamente não se trata de uma adaptação cinematográfica, no máximo o filme foi inspirado nos preceitos básicos que norteiam a ficção do Asimov, uma vez que determinadas características são vistas em ambas as linguagens, sobretudo no conto ‘Pequeno robô perdido’, o que mais pude relacionar com a película. Confesso que encontrei dificuldades quanto a ambientação da história durante a leitura, mesmo que o texto me mostrasse outra coisa, não consegui fugir dos cenários do filme, isso aprisionou um pouco o pensamento, mas não chegou a influir significativamente no meu parecer a respeito do texto.

Poster do filme de Alex Proyas, de 2004.

Poster do filme de Alex Proyas, de 2004.

Sobre a edição, a minha é da Pocket Ouro. No princípio, impliquei um pouco com a espessura da capa, fina e muito frágil, em especial para quem costumar carregar livros na mochila, como eu. Mas, ao fim da leitura a minha edição continuou inteira. Se esta foi uma das minhas preocupações quanto a Pocket Ouro, ela não existe mais. Além disso, o livro traz um prefácio muito bacana, feito pelo tradutor Jorge Luiz Calife, fundamental para a localização do leitor no contexto histórico em que Asimov escreveu ‘Eu, robo’, e para que se entenda e seja dado o devido reconhecimento pela importância da obra. Não pulem o prefácio rsrs.
Do autor,  Isaac Asimov nasceu em 1920 na Rússia, mas muito pequeno mudou-se para os EUA. É famoso pela temática científica, mas pôde-se orgulhar de ter trabalhado os mais diversos assuntos e estilos. Morreu em 1992, aos 72 anos. Dentre suas obras consideradas mais importantes estão, esta que tive a honra de ler na semana passada, e a a famosa Trilogia da Fundação, que quem sabe em algum formoso dia, quando o dinheiro se tornar meu amigo, eu comprarei.

Por fim, para quem curte ficção científica, este é um livro indispensável. E para os amantes da literatura em geral, afirmo que todos deveriam ter pelo menos um Asimov no currículo. Está aí uma ótima recomendação, 5 estrelas no skoob.

ps:. Caso tenha falado alguma besteira sobre o filme, perdoem-me, devo tê-lo assistido por volta de 2005. Preciso revê-lo e caso preciso, farei aqui as devidas alterações, ou me corrijam aí nos comentários ;)

Por hoje é isso!
Inté!

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