“Toda palavra em voz alta ou é uma mentira ou é uma agressão”

Minha edição de 'A suavidade do vento' de Cristavão Tezza, pela record.

Minha edição de ‘A suavidade do vento’ de Cristavão Tezza, pela record.

Talvez não haja momento mais oportuno para falar sobre transição, ano bissexto saindo, ano novo chegando, bom seria se todas as transições fossem tão naturais, aguardadas e agradáveis quanto esta. Lembro-me da minha trágica mudança de colégio, do ensino fundamental para o médio. Minha disposição na sala de aula sempre foi a mesma, sentava na primeira fileira de carteiras, mas isso não quer dizer que participava das aulas. Temia não conseguir entrar em um grupo para o desenvolvimento de determinado trabalho em sala de aula, complexo de aceitação; rumava até por caminhos mais longos para não ter que me encontrar, cumprimentar, e quem sabe, ser obrigado a iniciar uma conversa; desviava o olhar fingindo estar ocupado enquanto o professor escolhia um aluno para resolver os exercícios no quadro, embora soubesse solucionar todos, não queria que me olhassem; me preocupava demasiadamente com o julgamento alheio, estima quase não existia, tentava ser invisível. De fato, o ano novo deve ser festejado, com fogos de artifício, 7 uvas na mão e romã na mesa; pois é um momento de transição que aceitamos de bom grado, despidos de qualquer camisa de força, de qualquer medo ou sensações do tipo. Mesmo em tempos onde profecias prometem o fim, nos tonamos seres esperançosos.

Os anos passaram, os tempos mudaram, tive que crescer, mas ainda transito entra aquela pessoa que acabara de sair do fundamental, e a pessoa que escreve isso hoje.  De modo que foi imediata a minha identificação com a personagem que protagoniza ‘A Suavidade do Vento’ de Cristovão Tezza. Matôzo é solitário, medroso, careta, mas sem preconceitos. Numa cidade de merda, leciona e escreve. Nunca havia mostrado a ninguém o que sua mente, coração e seu par de mãos produziam, preferia desconhecer o caráter das opiniões a seu respeito, até que num dado momento resolve publicar um livro, na tentativa de deixa de ser imperceptível, inaudível, suave. Vive na companhia das citações de Clarice Lispector, e de seus monstrinhos derrotista e por vezes engraçados. Imaginários ou não, arranham as costas, são curiosos, julgam e debocham, mereceram os pontapés que levaram ao longo da história.
A narrativa é intimista, altamente descritiva, moderna, arrojada , rápida e de sentenças curtas. O oposto da fala arcaica daquela professora de língua portuguesa do ensino médio, que muito me falava sobre um dos autores paranaense mais promissores da literatura contemporânea, controversa ela. Agora, posso dizer que já li um livro do cara, e com ele veio, embrulhado em papel de presente com um cartão de boas festas, um montante de recordações, atitudes e comportamentos, que mesmo com a mudança de ano, não serão esquecidos, mas espero que sejam transformados. E tem outra coisa, odeio conselhos.

ps: Há mais de uma semana que estas 204 páginas foram lidas, mas o momento não é dos mais disciplinados, portanto, o post tardou a sair. Além disso, anotei minhas ideias durante a leitura, as tranquei na gaveta e deixei que amadurecessem. Ainda estão verdolengas, mas resolvi me expor, a quem não me conhece é mais fácil.

Rendeu 4 estrelas no skoob!
Por hoje é isso, inté!

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