Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.

Voltei para compartilhar minhas impressões de leitura a respeito do livro que revolucionou um gênero e redefiniu os rumos da ficção científica  a partir década de 50. Falo de ‘Eu, robô’ de Isaac Asimov.

Minha edição de 'Eu, robô' de Isaac Asimov,  pela Pocket Ouro.

Minha edição de ‘Eu, robô’ de Isaac Asimov, pela Pocket Ouro.

Trata-se de um livro de contos, 9 contos. Na verdade, não sei direito se este é o enquadramento correto para esta obra, pois as 9 histórias são quase todas interligadas, as personagens são basicamente as mesmas na maioria delas, e também acontece de um evento ocorrido em determinado conto ser citado em outro, particularmente, achei ótima a ideia. Gosto de chamar ‘Eu, robô’ de um livro de causos, essencialmente porque há a repetição de um padrão nas 9 histórias, funciona basicamente assim: uma máquina apresenta um problema (age como se estivesse bêbada ou é racional ao extremo, dentre outras falhas técnicas), a robopsicologa Susan Calvin e sua equipe estudam o problema, de forma bastante lógica encontram a causa do mesmo (o raciocínio lógico do Asimov é visivelmente apurado), e  por fim ele é solucionado; deixando os 9 contos semelhantes a um estudo de caso.

Como se tudo isso não fosse genial o suficiente, o autor ainda faz com que cada uma destas histórias retrate uma época da ciência robótica, delineando a evolução tecnológica desde a criação de uma babá mecânica, até a dominação mundial pelas máquinas. Reforço o que já devo ter deixado claro, o livro é inovador. Um dos seus maiores legados para a literatura de ficção, foram as famosas 3 leis da robóticas. Não vou enunciá-las aqui, mas ressalto a primeira delas, esta que intitula o post, que representou uma libertação criativa para os autores da época, influenciado gerações futuras de escritores e cineastas, e curando a ficção cientifica da síndrome de frankenstein, que defendia o caráter maligno do avanço tecnológico.

Tão bacana quanto o livro, é o filme de Alex Proyas [de 2004]. Temeroso, digo que o livro é melhor que o filme. Da última vez que fiz um comentário desse tipo em uma rede social sobre cinema, quase fui queimado, crucificado, morto, afogado, apedrejado e depois morto novamente; mas não adianta, sempre vou acabar comparando as sensações que um livro e um filme me despertam, e consequentemente, julgar as da 6ª arte mais intensas.  O longa de mesmo nome tem o enredo completamente diferente da obra original, obviamente não se trata de uma adaptação cinematográfica, no máximo o filme foi inspirado nos preceitos básicos que norteiam a ficção do Asimov, uma vez que determinadas características são vistas em ambas as linguagens, sobretudo no conto ‘Pequeno robô perdido’, o que mais pude relacionar com a película. Confesso que encontrei dificuldades quanto a ambientação da história durante a leitura, mesmo que o texto me mostrasse outra coisa, não consegui fugir dos cenários do filme, isso aprisionou um pouco o pensamento, mas não chegou a influir significativamente no meu parecer a respeito do texto.

Poster do filme de Alex Proyas, de 2004.

Poster do filme de Alex Proyas, de 2004.

Sobre a edição, a minha é da Pocket Ouro. No princípio, impliquei um pouco com a espessura da capa, fina e muito frágil, em especial para quem costumar carregar livros na mochila, como eu. Mas, ao fim da leitura a minha edição continuou inteira. Se esta foi uma das minhas preocupações quanto a Pocket Ouro, ela não existe mais. Além disso, o livro traz um prefácio muito bacana, feito pelo tradutor Jorge Luiz Calife, fundamental para a localização do leitor no contexto histórico em que Asimov escreveu ‘Eu, robo’, e para que se entenda e seja dado o devido reconhecimento pela importância da obra. Não pulem o prefácio rsrs.
Do autor,  Isaac Asimov nasceu em 1920 na Rússia, mas muito pequeno mudou-se para os EUA. É famoso pela temática científica, mas pôde-se orgulhar de ter trabalhado os mais diversos assuntos e estilos. Morreu em 1992, aos 72 anos. Dentre suas obras consideradas mais importantes estão, esta que tive a honra de ler na semana passada, e a a famosa Trilogia da Fundação, que quem sabe em algum formoso dia, quando o dinheiro se tornar meu amigo, eu comprarei.

Por fim, para quem curte ficção científica, este é um livro indispensável. E para os amantes da literatura em geral, afirmo que todos deveriam ter pelo menos um Asimov no currículo. Está aí uma ótima recomendação, 5 estrelas no skoob.

ps:. Caso tenha falado alguma besteira sobre o filme, perdoem-me, devo tê-lo assistido por volta de 2005. Preciso revê-lo e caso preciso, farei aqui as devidas alterações, ou me corrijam aí nos comentários ;)

Por hoje é isso!
Inté!

Anúncios

3 Comentários

Arquivado em Leituras Concluídas

3 Respostas para “Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.

  1. Isso é fato, nenhum filme ou adaptação consegue “trazer” o livro as telas, já me conformei com isso e não comparo mais, se a rede social é o Filmow: a galera de lá é muito nervosinha e não aceita opinião mesmo, comigo nunca teve atrito pois evito comentarios sinceros mas já li ~~briguinhas~~ por conta disso.

    Eu vi o filme também em 2005, tinha lá na escola o livro mas não peguei por burrice, pensei que seria a historia do filme, me arrependo amargamente mas acho que foi bom vai que interpretaria de forma errada a obra por ainda ser ~~criança~~. To louco pela edição mesmo pocket nao tenho frescura kkkkkkk.

    Trilogia Fundação tenho visto há um tempo no submarino um box lindo mas o preço………. Tem uma especie de série, não sei o que é da L&PM Pocket com umas capas extravagantes, Contos de Robôs, dele e outros autores não sei se tu já viu http://migre.me/cfYKi fiquei curioso mas como não li nada do autor fico receioso.

    Abraços :D

    • É o filmow sim, apesar de todos ‘cultismo’ do pessoal de lá, eu continuo usando, e gosto bastante.
      O preço da Trilogia da Fundação é depressivo mesmo, me vejo comprando-a num futuro muito muito remoto, preciso de um emprego antes rsrsr.
      Esses Pockets do Asimov sempre me chamam atenção nas livrarias, justamente pela luminosidade das cores das capas, a escrita do asimov é muito inteligente, vale a pena ler mais coisa dele.

  2. Quero muito ler!
    Legal saber que você aprovou a edição pocket (tb implico com capas muito “moles”, rs).
    Eu gostei do filme, mas não lembro muito.
    Melhor assim: curto mais ler o livro! E gostei desse formato contos entrelaçados.
    Abraços!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s