E o preto-protagonista é crioulo mesmo e não preto pintado de branco.

Minha edição de 'A Revolta da Cachaça' de Antonio Callado, pela Nova Fronteira.

Minha edição de ‘A Revolta da Cachaça’ de Antonio Callado, pela Nova Fronteira.

Descompromissadamente, li ‘A Revolta da Cachaça’ de Antonio Callado esta semana. A leitura foi mega rápida, além das poucas 127 páginas, trata-se de um texto teatral, capaz de ler em um dia apenas. No começo, houve um certo desconforto, ocasionado pela forma como o tudo está disposto na página, pelo fato da história ser contada toda em diálogos e pelas rubricas que parecem desacelerar o andamento da leitura. Considero isso uma questão de costume, já li outras peças e algo parecido aconteceu, mas com o passar das páginas a gente pega o jeito e a experiência se torna muito agradável e enriquecedora.
A encenação é constituída de três personagens principais, e mais três secundários, que aparecem em uma cena ou duas. Ambrósio é um ator negro, que cansado de ser marginalizado, severamente cobra de Vito o papel de protagonista que o dramaturgo havia lhe prometido, mas que há anos se demorava em terminar de escrever. Envolvida nesta situação toda está Dadinha/Eduarda, atual de Vito e ex de Ambrósio. Enfim, a trama é relativamente simples, mas consegue, através das escolhas extremas tomadas por Ambrósio para conseguir o que quer à todo custo, condensar uma nuvem de tensão muito carregada . Vale destacar que a história é ambientada em Petrópolis, cidade serrana do estado do Rio de Janeiro, no fim dos anos 50 e início da década de 60.
Achei muito interessante a denominação dada pela Ligia Chiappini, responsável pelas notas e roteiro de leitura presentes no fim da publicação. Ela afirma que a obra se trata de um metateatro, e de fato isso é bem legal de acompanhar, uma peça sobre o processo de encenação e criação de outra peça. Além disso, outra temática do livro, bastante polêmica inclusive, é a questão racial  e a discriminação social. O que fez me lembrar por várias passagens, Anjo Negro do Nelson Rodrigues (minha peça favorita, queria vê-la encenada um dia), que em 1948 foi para os palcos protagonizada por um ator branco pintado de preto, uma vez que não era aceitável que a colega de cena (loura) contracenasse com um negro.
Enfim, o texto é controverso e repleto de referências históricas, representadas logo no título. Super recomento a leitura de ‘A Revolta da Cachaça’, 5 estrelas no skoob!

Por hoje é isso!
Até mais ver!

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1 comentário

Arquivado em Leituras Concluídas

Uma resposta para “E o preto-protagonista é crioulo mesmo e não preto pintado de branco.

  1. Acho que a única ~~peça~~ que li foi O Santo e a Porca, ainda adaptado na 5° série, essa parece ser legal por tratar de temas que continuam polêmicos até hoje. As vezes me perco em meio a tento dialogo, tipo nao sei quem tá falando e ignoro, mas no final entendo kkkkkkk.

    Abraços :D

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