Papai vai te matar Holden.

O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D Salinger, pela Editora do Autor.

A maravilha desse livro começa logo no título; voltei para falar de uma das obras mais influentes do século XX, O Apanhador no Campo de Centeio, do recluso norte americano J. D. Salinger.

Em primeira pessoa, esta história nos conta um dado momento da vida de Holden Caulfield, o maior mentiroso do mundo, segundo o próprio. Tem 16 anos, um irmão escritor e uma irmã, a gracinha da Phoebe; todos mais inteligentes do que ele. É rebelde, preconceituoso com velhos e bichas, indigna-se facilmente, cômico, irônico, e estuda no Internato Pencey, em Angerstoen na Pennsylvania, do qual é obrigado a se retirar por más notas, exceto em Inglês, vale destacar. Sem poder voltar para a casa dos pais em Nova York, inicia uma jornada pelada cidade. Nosso amado protagonista vagueia por bares, ruas, estações, chama garotas para sair, dá esmola às freiras, dorme na casa de tarados. Enfim, ao longo de toda essa trajetória, Holden acaba se mostrando bastante diferente daquele cara do internato. Ele é o mesmo na verdade, a questão é que começa a  refletir sobre tudo que tem lá dentro, bem lá dentro, no fundo da sua cabecinha atormentada e coração confuso. Acabamos conhecendo um jovem inseguro, um tanto inexperiente, covarde, por horas respeitoso e humano, de sonhos quase infantis, e ao mesmo tempo descontente com o mundo hipócrita dos adultos.

Detalhe, quando resolvi ler este livro, não tinha um pingo de ideia do que esperar. Não havia lido nenhuma resenha, pesquisado sinopse, nem nada do gênero, por isso foi uma imensa surpresa descobrir que escrita do Salinger é bastante informal, sem ser feia ou baixa, claro. Gírias como “no duro” e outras expressões são exaustivamente repetidas pelo narrador, e isso me remeteu inúmeras vezes a um outro personagem da literatura, tão famoso quanto, chamado Alex. Sim, a criatura de Anthony Burgess. Não só a fala, mas diversos outros aspectos como o fluxo de pensamento do personagem me lembraram Laranja Mecânica.

Nunca me apeguei fortemente a personagens, mas ultimamente tenho me deparado com seres tão bem construídos, como em Grandes Esperanças do Dickens, por exemplo; que ando prestando mais atenção a este quesito. Sei que muitos odeiam o jovem Caulfield, mas apesar de tudo não consegui pegar raiva, pelo contrário. Acredito que foi pena o que eu senti, não estou certo, mas torci bastante para o Holden aquietar a sua mente e ser feliz.
Outra personagem que muito me chamou a atenção foi a Phoebe, uma menina de jeitinho meigo, doce, mas de personalidade forte, e durona quando quer. Achei linda a relação dela com o irmão, um carinho imenso é o que sentem, um sentimento tão verdadeiro deveras emocionante de acompanhar.

O livro é 100% diria Holden.
Dei 5 estrelas no skoob.
Por hoje é isso, até!

ps: Não entendo o motivo de outras editoras não reeditarem esta obra.  A edição brasileira publicada pela Editora do Autor é um tanto cara, e apesar do título ser famoso, não é assim tão fácil de encontrar. Deve haver uma questão de direitos autorais aí, mas vale o esforço, popularizar a edição seria ótimo.

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6 Comentários

Arquivado em Leituras Concluídas

6 Respostas para “Papai vai te matar Holden.

  1. Sempre me disseram que esse livro nunca me despertaria interesse por ser uma obra totalmente voltada para o universo masculino – sem o apelo universal, por isso nunca li. Mas tenho vontade…. um dia.

    • Não tinha visto por esse aspecto. Mas de fato pode-se dizer que é relativamente voltado para o público masculino, pois a maioria, praticamente todas, as reflexões feitas no livro partem da cabeça de um homem. Mas não acho que isso faça com que o público feminino desgoste do texto, a história é muito boa e os personagens despartam sensações muito intensas no leitor. Se é que existe um público alvo, são os jovens. Qualquer adolescente, em especial os mais críticos, vão se identificar bastante com o livro ;)
      Vlw pelo comentário!

  2. Um tanto cara é apelido! Vi a obra em uma reportagem ano passado e me interessei mas o preço exorbitante me impede de comprá-la até hoje, além da questão que você citou de achar :/

    Fiquei mais curioso com a tua opinião, um dia lerei…

  3. Reblogged this on Leituras por Aíe comentado:
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  4. Adorei o seu texto. O Apanhador no campo de centeio é um dos meus livros favoritos e o Holden Caulfield foi o meu primeiro amor literário, acho que eu li esse livro quando estava com uns 15 anos e vi muito do meu próprio medo de crescer e assumir responsabilidades neste incrível personagem.
    Gostei também do que você comentou sobre a linguagem, que é extremamente informal e, pra mim, a melhor parte do livro. É difícil um autor conseguir criar uma voz tão única, especial o suficiente para a gente pensar “ah, é para isso que existem os livros em primeira pessoa” (e o Alex é um desses também, na minha opinião).
    O que me fascina também nesta obra é lembrar que, antes do Salinger escrevê-la, ninguém achava que existia uma “cultura adolescente” e pode-se dizer que tudo o que veio sobre isso depois, é consequência do nosso querido Holden e seu chapéu vermelho de caçador.
    Beijos!

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