’80 Anos de Poesia’ de Mario Quintana

Olá! Esta semana terminei a leitura de uma antologia, publicada pela Editora globo, em homenagem aos 80 anos do poeta gaúcho Mario Quintana. E vim contar minha experiência.

Minha edição de ’80 Anos de Poesia’ de Mario Quintana, pela Editora Globo.

Este foi o meu primeiro contato com um livro de poesias do Mario Quintana, e posso dizer que nosso encontro foi bastante agradável. O livro é curto, são 171 páginas de muita sensibilidade.

Não sei informar tecnicamente a qualidade da organização, se o trabalho de seleção das poesias, cartas, textos e citações é digno ou não, subjetivamente confesso que gostei, mas sem exageros. Acho que dei 3 estrelas no skoob, talvez porque eu ainda seja calouro no quesito poesia, não costumo ler muito do gênero.

Quero deixar aqui, 3 sonetos que destaquei enquanto estava lendo o livro. A sensação que eu tive enquanto os lia, era de estar boiando de olhos fechados em um mar bem calmo, passei a flutuar dentro de mim e a afundar, de verdade. O peso das palavras me levaram a uma profundidade de reflexão incrível, uma insustentável leveza deliciosa. É reflexivo, é controverso.

Da vez primeira que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha…
Depois de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha…

E hoje, dos meus cadáveres, eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada…
Arde um toco de vela amarelada…
Como o único bem que me ficou!

Vinde, corvos, chacais, ladrões de estrada!
Ah! desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz do morto não se apaga nunca!

 

(Para Moysés Vellinho)

Minha morte nasceu quando eu nasci…
Despertou, balbuciou, cresceu comigo…
E dançamos de roda ao luar amigo
Na pequenina rua em que vivi

Já não tem mais aquele jeito amigo
De rir que, aí de mim, também perdi
Mas inda agora a estou sentindo aqui,
Grave e boa, a escutar o que lhe digo:

Tu que és minha doce prometida,
Nem sei quando serão nossas bodas,
Se hoje mesmo… ou no fim de longa vida…

E as horas lá se vão, loucas ou tristes…
Mas é tão bom, em meio às horas todas,
Pensar em ti…saber que tu existes!

 
A ciranda rodava no meio do mundo,
No meio do mundo a ciranda rodava.
E quando a ciranda parava um segundo,
Um grilo, sozinho no mundo cantava…

Dali a três quadras o mundo acabava.
Dali a três quadras, num valo profundo…
Bem junto com a rua o mundo acabava.
Rodava a ciranda no meio do mundo…

E Nosso Senhor era ali que morava,
Por trás das estrelas, cuidando o seu mundo…
E quando a ciranda por fim terminava

E o silêncio, em tudo era mais profundo,
Nosso Senhor esperava … esperava…
Cofiando as suas barbas de Pedro Segundo.

 

ps:. Mario Quintana tem uma tara por nuvens, verás.
Por hoje é isso!
Até mais ;)

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2 Comentários

Arquivado em Leituras Concluídas

2 Respostas para “’80 Anos de Poesia’ de Mario Quintana

  1. Nunca li só conheço superficialmente por trechos em livros escolares e internet, admiro o trabalho dele realmente lindo.

  2. Eu também sou “caloura” em poesia, mas amo Mario Quintana! ; )
    Abraços!

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