Um Estorvo

Olá!
Depois de séculos, retornei à casa para dar uma sacudida e retirar o pó. Estas últimas duas semanas foram recheadas de problemas, tanto de saúde quanto perdas familiares, e me causaram uma baita indigestão, nem uma página descia goela abaixo. O tempo e um epocler estão me devolvendo à rotina, já estou me alimentando de novas leituras, mas ainda devagar.
Desta vez voltei para falar sobre um livro que terminei antes mesmo destas coisas todas, e que contribuiu para o certo desânimo que tenho tentando superar a cerca da leitura. O livro se chama ‘Estorvo’, meu primeiro contato com a escrita literária do Chico Buarque.

Estorvo de Chico Buarque, pela Companhia das Letras

Vou tentar introduzir a história, mas sinto que qualquer coisa que eu tente expressar possa ser um spoiler, pois a trama é cotidiana, sem mais, e se desenrola a partir da visão de uma narrador comum, que em primeira pessoa revela-se perseguido, por alguém e pelas consequências de seus atos desesperados. A escrita do Chico é estranha, nunca li algo tão desconfortável, apesar de ágil,  é silenciosa e solitária. O livro todo é descritivo, aos poucos disseca o protagonista, descobrimos suas falhas e seus problemas familiares através de alguns detalhes nem tão importantes, mas por muitas vezes reflexivos e por algumas outras desinteressantes. Acredito que não me fiz claro, e nem faço questão. Apesar da escrita arrojada, a leitura de ‘Estorvo’ foi muito turva e feitas às cegas. Uma pessoa me emprestou o livro, e li logo para devolver o mais breve possível, não tinha noção do que esperar, nunca havia me deparado com um exemplar em uma livraria, muito menos conhecia o título. O autor é claro, foi quem despertou o interesse.
Ainda anseio por ‘Leite Derramado’, apesar da desilusão que Estorvo significou, não perdi a esperança de que venha limpar esta sujeirinha.

Logo na capa da edição da Companhia das Letras, um trecho curioso estimulou o início da leitura, gostaria de deixá-lo aqui, uma vez que minhas palavras, completamente infundadas e nada esclarecidas e esclarecedoras, não prestaram.

“Rio porque me lembro de quando íamos para o sítio de carro com meus pais, eu e minha irmã no banco traseiro. Curva para o lado, e eu jogava o corpo para cima dela, fazendo “ôôôôôôôô”. Curva para o lado dela, e era ela que caía para cá: “ôôôôôôôô”. A lembrança me bate com tanto força que chego a sentir o cheiro da cabeça da minha irmã, que ela dizia que era do cabelo, e eu dizia que era da cabeça, porque ela mudava de shampoo e o cheiro continuava o mesmo, e ela dizia que eu era criança e confundia tudo, mas eu tinha certeza que aquele cheiro era da cabeça dela, então ela me perguntava como era o cheiro, e eu perdia a graça porque não sabia explicar um cheiro, daí ela dizia “tá vendo”, mas na verdade é que nunca esqueci, já cheirei a cabeça de muitas mulheres e nunca senti nada igual.”

Devo confessar que quase desisti deste post, além dos problemas citados no início, a minha falta de precisão para falar de Estorvo quase impediu a escrita. Ainda me estranho com a obra e careço de opinião, mas ainda assim, optei por registrar mais esta leitura.
Não esqueçam de comentar e esclarecer as coisas para mim ;)
Por hoje é isto, até.

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